segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cidade da Tolerância Monumento ao povo judaico em Lisboa Como todos (que acompanham o Visão Histórica) bem sabem, em 1492 os judeus foram expulsos da Espanha pelos Reis Católicos e boa parte fugiu para Portugal, onde D. Manuel I, então rei, se mostrava muito aberto e tolerante para receber imigrantes de outras religiões. Em 1497, os judeus que queriam permanecer em Portugal foram convertidos (contra sua vontade, naturalmente) ao catolicismo, medida tomada por D. Manuel, que cedeu à forte pressão espanhola. E todos viveram felizes para sempre… ou será que não? Não! E eu não posso perder essa chance que a História me deu para ser irônico e sarcástico. Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao Terramoto de Lisboa 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo Então vamos ao Momento Irônico/Sarcástico: Em 19 de Julho de 1506, em meio a uma crise gerada por um longo período de seca, fome e peste, os portugueses rezavam calmamente, no Convento de São Domingos, em Lisboa. Até que, em certo ponto da cerimônia, alguém se ergue e diz ter visto o rosto de Jesus Cristo se iluminar, sobre o altar. Todos concordam que é um sinal (De que? Não entendi!), um milagre. Outro sujeito, que pode ser considerado mais racional ou menos precavido, provavelmente um cristão novo, alega que deve ter sido apenas um reflexo da luz que penetrava pelas janelas e portas da igreja. Foi a senha! Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506 Como se espera de fiéis rezando em uma igreja, esse cidadão foi espancado até a morte ali mesmo, dando início ao boato de que os judeus eram os responsáveis pela fome, seca e peste. Até que faz sentido, se você pensar bem, mas tem que pensar muito bem. Eu gostaria de estar lá para ouvir os argumentos que levaram a tal conclusão. Alguns frades dominicanos incitaram os fiéis e reuniram uma turma enfezada com 500 integrantes que, ao longo de três dias, perseguiram, torturaram e mataram mais de 2.000 pessoas, todas acusadas do “crime” de ser judeu. D. Manuel I, o rei tolerante, quando ficou sabendo do ocorrido, não tolerou e ordenou que as tropas reais dissipassem o tumulto e deu sentença de morte aos frades envolvidos. Curioso é o fato de que pouquíssimos historiadores se dão ao trabalho de escrever sobre o assunto, que é ignorado nos livros didáticos e, por muitos anos, ficou como que esquecido na memória dos próprios portugueses. Isso pode se explicar (mas não se explica) pelo fato de muitos documentos terem se perdido no Terremoto de Lisboa de 1755 e no Incêndio da Torre do Tombo. Mais de 500 anos depois, em 19 de abril de 2008, foi erguido um monumento aos judeus mortos no massacre de 1506, em Lisboa. E, para aqueles que acham que eu sou irônico e sarcástico demais, durmam com essa: O monumento aos judeus mortos fica ao lado do monumento ao catolicismo e próximo ao muro onde está escrita a frase: “Lisboa, cidade da tolerância” em vários idiomas. Muro próximo ao monumento em homenagem aos judeus mortos no Massacre de Lisboa, em 1506 Assista ao vídeo da sessão da Câmara Municipal de Lisboa, em 2008, onde foi inaugurado o monumento.

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